Dona de um timbre diferenciado, Thaís Gulin foge do padrão seguido pela recente leva (e interessantíssima) de cantoras brasileiras. Essa curitibana é irrevente e inovadora em suas canções, não há como não ficar enebriado por sua singularidade criativa.
O novo cd de Thaís está para ser lançado logo logo, enquanto isso resolvi compartilhar um dos meus maiores delírios nos últimos anos: seu cd de estreia Thaís Gulin (2007). O álbum é repleto de regravações e inovações, sendo aberto pela música Garoto de Aluguel (Taxi Boy), que é de longe a melhor releitura da música de Zé Ramalho. Em seguida vem Piano (Ofídico Fatídico), que nos guia pela vanguarda paulistana. Lua Cheia é uma parceria com Toquinho (isso já é o bastante!), a música começa com ares de séc. XIX e vai crescendo até se tornar pura contemporaneidade. A pulsação de Defeito 10: Cedotardar se destaca no álbum, despontando como uma das músicas mais atraentes. Bloco da Solidão é uma releitura bem moderna de Jair Amorim e Evaldo Gouveia, que chega calmo e vai crescendo numa marcha singular. O samba que já não se vê mais por ai está presente em De Boteco em Boteco é mais uma releitura incrível, dessa vez de Nelson Sargento. Hino de Duran ganha toques esquizofrênicos e imprimem a personalidade de Thais na música de Chico Buarque. Cisco é uma releitura agradável de Zeca Baleiro. Em Cinema Incompleto (Núpcias) se deve prestar atenção nos minimalismos escondidos. História de Fogo, música de Otto e Alessandra Negrini, surge como um tango envolvente. A Vida da Outra (Dela) ou Eu, uma das minhas preferidas, nos fala da inveja e do sinismo de um modo curioso, instigante. O cd se encerra com 78 Rotações, música de Jards Macalé, se mostrando mais obscura, incrível. Sim, é um cd completo em todos os sentidos.
Thais Gulin























