Tem algo de grandioso nas bandas novas, elas podem errar. Já que não têm a atenção de multidões para julgar se continuam bons ou se evoluiram; uma obrigação de vender o mesmo que trabalhos antecedentes ou até patrocionadores, ou até fãs que muitas vezes limitam o artista de mudar. Eu, sinceramente, tenho me policiado para não julgar uma arte tomando como referência uma outra arte. A arte precisa ser comparada para ser entendida, não para ser inferiorizada. O que é julgado infeirior pode ser porque o juiz simplesmente não conseguiu entender, porque só consegue ver alguns cores (tem gostos delimitados) ou ainda porque se tornou mais imagem do que conteúdo.
Despretensiosamente esta banda inglesa, Dry the River, tem chamado muita atenção nos grandes festivais europeus. Esta banda me ensinou sobre a grandiosidade de buscar se equiparar a grandes bandas mesmo no início de uma carreira que ainda aparece com apenas pequenas pegadas. De um ínicio grandioso podemos esperar um grande assombro futuro, e se não, ficaremos feliz por já termos nos satisfeitos no primeiro.
Alguns momentos aparecerem em nossas vidas que nos fazem ficar temorosos com nossos próximos passos; momentos onde tudo que você consegue identificar é que algo está errado. Desistimos muitas vezes por simplesmente ser mais fácil reduzir a dimensão de nossos sonhos. E mentimos para nós mesmos com a desprendida ilusão de que só estamos tentando seguir em uma outra direção. Nestes momentos, é necessário nos cercar de fontes elevantes e aqui fica minha indicação, que tem me ajudado nestes últimos dias.
A esperança é o que puramente a banda Mumford & Sons faz com perfeição. O quarteto de folk inglês nos brinda com incríveis letras, harmonia instrumental e vocal e nos deixa surpreso com tamanha maturidade presente em um cd de estréia, intitutlado Sigh no More. A banda está ganhando visibilidade dentro da cultura folk, participando de festivais e já vendeu bastante para o gênero que defende. Considero-me no dever de também compartilhar este antídoto para a alma.
Para dar um pequeno apetit para os leitores. Este vídeo mostra a competência da banda:
Boa noite, caro leitores!!! Depois de anos e anos sem passar por aqui, cá estou =] então pra não deixar a peteca cair e alegrar esse último suspiro do final de semana trago o EP da Fernanda Takai (Pato Fu) com a Maki Nomyia (Ex Pizzicato Five).
O álbum, que saiu em 2009, foi lançado apenas no Japão, ele abre com a faixa Nagoya (a única inédita) onde a Maki canta em japonês acompanhada pela Fernanda cantando em português, a música que é composição é do John Ulhôa com a Fenanda Takai com o João Donato, mesmo sendo composição de brasileiros soa bem oriental pra mim, com uma textura diferente dada pela sonoridade da escala oriental com um toque bem sutil de trip hop.
Na sequência vem a faixa Hitori Ni Shite Ne, a música mais alegrinha do álbum, que é seguida pela faixa Saudade, gravada pela primeira vez no diz Isopor do Pato Fu, aqui a música também novos arranjos conferindo a ela uma cara nova, mas o que ficou realmente legal nessa música é a Maki cantando em português com um sotaque bem peculiar.
Se teve uma do Pato Fu tinha que ter uma do Pizzicato Five pra equilibrar, Né ?! e a escolhida foi A Message Song, confesso que não é minha preferida do Pizzicato, mas ainda sim é boa! E o álbum encerra com uma versão ao vivo do Kobune (o barquinho), essa eu nunca gostei da versão original, a quem gosta que desculpe, mas sempre achei essa música meio chatinha ate a Fernanda gravar ela cantando em japonês.
Então se a Fernanda e a Maki já eram boas no Pato Fu e no Pizzicato, igualmente bem sucedidas nos seus projetos solo, as duas juntas não tinha como ficar ruim!!!
Quem não gosta do som de violoncelos? Para mim este é o instrumento com a sonoridade mais perfeita que existe. Então, imagine só uma banda formada por vários violoncelistas? Pois bem, se a perfeição estética sonora existe, Portland Cello Project passou por ela e foi além. Pode parecer estranho, mas PCP é uma espécie de orquestra "indie" de violoncelos.
O álbum se inicia com Welcome to Daytrotter, onde todos da banda dizem "Hi, We're Portland Cello Project. Welcome to Daytrotter" enquanto tiram sons de seus violoncelos. A partir daí se inicia uma mistura épica de sons cheios de peculiaridades e experimentalismos; indispensável para quem deseja navegar por uma infinidade de sensações ao longo das faixas seguintes. como o álbum é curto, logo após a quarta música, Halo 3 Theme (música tema de uma jogo homônimo), vem a única música cantada, Remedy, que forma uma completa harmonia entre a voz e o som dos violoncelos acompanhados de leves batidas no intrumento com o arco.
Não consigo parar de escutá-los. Desafio você a conseguir!
Reverberação. Eis o que significa "Efterklang". Reverberação de sensações. Sim, muitas sensações.
Depois de uma eternidade sem qualquer novidade por aqui (milhares de coisas para todos os "gavetudos" - isso ainda me soa estranho, além de ser um motivo de piada interna, hehe - fazerem) resolvi postar sobre essa banda transcedental. Efterklang vem da Dinamarca (um dos meus países favoritos, musicalmente falando) e consta principalmente de quatro integrantes (Mads Brauer, Casper Clausen, Thomas Husmer e Rasmus Stolberg). Digo quatro integrantes principais porque sempre são convidados três ou mais pessoas para colaborar com eles nas músicas/shows - por isso preferi colocar ums foto com alguns integrantes que volta e meia se juntam a eles. Resumindo: uma banda de quatro pessoas que sempre tem pelo mens umas sete. E isso é demais! Sim, para mim quanto mais integrantes, melhor, pois as músicas se tornam mais ricas, mais cheias de detalhes.
Efterklang é uma banda que já está na estrada há bastante tempo (desde 2000) e eles já lançaram vários discos/EPs (excelentes, por sinal). Uma de suas marcas principais é a mistura do orgânico ao sintético, uma música cheia de instrumentos e elementos clássicos aliada a uma mistura de leves batidas eletrônicas e ruídos sintéticos. O que é interessante da banda é que todos cantam, muitas vezes todos ao mesmo tempo. Tudo é muito rico e, para mim, intenso.
Vou ater um pouco ao recente álbum deles que resolvi postar aqui: Magic Chairs. O álbum é aberto com sons de piano em Modern Drift e aos poucos são acrescidas pinceladas de batidas, violoncelos, contrabaixos, sintetizadores. Tudo é muito harmonioso e instigante; temos uma noção clara de tudo que a banda pode nos proporcionar. Há momentos como em I Was Playing Drums em que todos cantam ao mesmo tempo e o violoncelo duela com algumas baitdas e depois convidam todos os outros instrumentos. É de ficar enebriado. Há momentos em que as músicas são ditadas por palmas, como em Raincoats, em outros instantes, o contrabaixo e o violão tentam se mostrar mais evidentes, mas de modo geral, esse álbum é mais centrado no piano, violino, violoncello e em pequenas batidas eletrônicas. Relamente, não dá para descrever Efterklang e o álbum Magic Chairs.
Puro deleite!
Recomendado para aqueles que curtem de Under Byen, Anathallo, Wandula.
Download
Artista - Efterklang
Álbum - Magic Chairs
Ano - 2010
Gênero - Folk, Denmark, Drums, Experimental
Faixas:
01. Modern Drift
02. Alike
03. I Was Playing Drums
04. Raincoats
05. Harmonics
06. Full Moon
07. The Soft Beating
08. Scandinavian Love
09. Mirror Mirror
10. Natural Tune
Desta banda já temos um pouco de ciência devido à repercussão de uma de suas músicas na mini-série brasileira Capitu. Muitos ficaram fascinados com o estilo da música Balca e criaram um movimento onde performances da banda eram feitas em diversas cidades do Brasil, chamado Beirutando na Praça. A banda, para quem conhece pouco ou nada é uma orquestra em si, composta por músicos de excelência em cada instrumento, sem perder o ar de alternatividade. Um soco na liberdade é o objetivo de seus integrantes.
Um brinde da folk music que impossível escutar sem desejar girar, bater as mãos e pés, sorrir para todos. É uma banda que instiga o melhor que há dentro de cada um; eleva a alma com bons sentimentos. Gulak orkerstar (álbum) foi gravado inicialmente boa parte do processo por Condon (vocalista) no seu quarto sendo levado para estúdio apenas para retoques finais. The Flying Club Cup (álbum) nos traz a maravilha da música francesa como influência. March the Zapotec/Holland Ep segue o saudismo com um tempero viciante. Para ver um pouco da banda, veja este vídeo:
Escuto Beirut para sentir-me feliz, mesmo com letras bem constituída sobre a vida e relatos de decepção isto é muito possível. É um grito que não arranha ou é ácido; a conquista da liberdade da melhor forma que se pode promover: idealismo, alegria e tranquilidade.
Voltei de um milênio sem postar aqui (pelo menos foi o que pareceu pra mim), e volto muito bem acompanhado pela Fiona Apple!
Fiona Apple é nova-iorquina, nascida no ano de 1977, vinda de uma família de artistas, desde os avós passando pelos tios até chegar aos pais, ela começou nas aulas de piano aos 4 anos e sempre gostou de cantar, dona de uma voz peculiar de timbre envolvente e acolhedor e exímia compositora, ela traz nas suas letras, na maioria da vezes, muita melancolia, angustia, criando sempre uma cenário de muita introspecção.
No seu primeiro álbum Tidal, que ela gravou tendo apenas 17 anos, tendo nele o sucesso Criminal que virou hit na época do seu lançamento, é também nesse álbum que tem a música Sullen Girl, onde ela fala de traumática experiência de abuso sexual que sofreu aos 12 anos. É difícil classificar a Fiona em Gênero musical específico, mas acho que se pode dizer que ela (sempre muito bem acompanhada do seu piano) se encaixaria mais no pop, com uma grande influência do jazz.
Mas o álbum, ou melhor, os álbuns que trago hoje não é Tidal, mas sim o Extraordinary Machine, o terceiro álbum da cantora, a gravação desse trabalho ficou pronta em 2002, mas só foi lançado oficialmente em 2005, essa demora se deve ao fato da Fiona ter ficado na geladeira porque o seu álbum era completamente anti-comercial, com pressão dos fãs e a resistência da Fiona em mudar o seu trabalho já feito, por não querer comprometer a sua visão artística, no final da história o Extraordinary Machine com duas versões a primeira (a minha preferida) produzida pelo Jon Brion, o segundo eu não sei quem produziu, eu reconheço que a diferença entre ambos não é muito grande, pelo menos pra quem não é viciado na Fiona Apple como eu (hehehehe).
Agora dissecando o álbum, se antes já era difícil classificar a Fiona Apple num gênero musical específico no Extraordinary Machine, eu afirmo que é simplesmente impossível! Nas melodias ela criar muitas vezes uma atmosfera leve, em compensação traz uma densidade muito grande nas letras, ora falando de conflituosas relações amorosas, ora falando de si mesma, que são melhores faixas do álbum, como por exemplo, as faixas Please Please Please, Better Version Of Me, e magnífica Extraordinary Machine.
Em relação à instrumentação desse disco tirando o piano (uma verdadeira extensão do corpo dela) e a bateria (que dar um colorido jazzístico do trabalho), agora são trabalhado instrumentos mais eruditos nesse ponto o contrabaixo vem acompanhado de cellos e violinos, também são misturado a tudo, de forma sutil, os sopros como flauta, oboé, clarineta e ate fagote.
O Extraordinary Machine se apresenta então como acompanhamento perfeito pra se fazer uma reflexão, por exemplo no trecho “Give us something familiar / Something similar / To what we know already / That will keep us steady / Steady, Steady / Steady going nowhere”, pra curti uma fossa ou uma dor de cotovelo, ou simplesmente pra ficar balançando e cantarolando as deliciosas melodias como em Waltz, afinal de contas que não ficar balançado de um lado pro outro quando escutar uma boa valsa?!?!
Então se mais delongas... Bom Appetit (e degustem com calma! Hehehehe)
Já falei de Martina por aqui anteriormente e agora venho postar seu mais novo release, o álbum Some Place Simple. Sua voz aprimorada nos leva ao máximo deleite nesse projeto. O álbum contém novas versões de músicas dos álbuns The Blue God, já postado por aqui antes, e do Quixotic. As versões são mais acústicas e possui momentos bem crus, assim ela pode nos mostrar sua voz suave e excitante(!). Em todas as releituras nos deparamos com uma percussão aprimorada, com um ar de pura completude de sentimentos e expressões. É algo impossível de ser explicado racionalmente. Em todos os momentos temos o prazer de redescobrir as músicas e atribuir uma nova visão sobre ela e sobre nós mesmos até, pois descobrimos novas sensações ao longo das faixas. Há ainda quatro músicas inéditas que proporcionam um deleite ainda maior. Alguns dos instrumentos diversos presentes nas músicas são violão, bateria, teclado, caixinhas de música, apenas vozes ritmadas e pequenos sons eletrônicos, além de minimalismos perceptíveis em alguns instantes. Há pouco a se falar desse álbum, há muito a se ouvir.
Sim, ela nos proporciona cerca de 36 minutos incríveis!
Baixe agora e se delicie! É uma questão de necessidade! Você vai me entender quando ouvir...
Um artista exímio consegue enxergar em um toque de mãos, em um estalar de dedos, em uma preposição uma realidade a ser mostrada por mais irreal que esta possa soar. Quando um artista fala sobre si, suas impressões do mundo, uma exposição de como este verdadeiramente se enxerga podemos esperar sempre algo emocionante, ou simplesmente algo que merece ser respeitado. Poucas pessoas conseguem falar sobre o mundo em volta, a sociedade, muitos falam sobre amores que vêem em novelas, livros ou em seu cotidiano, mas utilizar da arte ao favor descrever é divino.
Ben Cooper, um músico que colabora e ainda possui diversos projetos paralelos (falarei sobre outros em outra oportunidade) nos apresenta esta banda-duo incrível em nos transmitir sentimento, Electric President. O que me assombra é que estes álbuns foram escritos baseado nos escritos de Ben quando acordava no meio da noite depois de pesadelos. Ele fala sobre seus sonhos que naquelas noites eram apresentados obscuros; sobre frustrações; ou sobre a felicidade que este mesmo fala ter se tornado um pesadelo. Ele foi ao fundo da alma humana e fala que não buscou modelar suas impressões; ele e Alex navegaram em seus apontamentos noturnos buscando demonstrar o que foi realmente vivido em pesadelos.
O álbum foi gravado em uma quarto transformado em estúdio atrás de sua casa; de um modo rústico sem instrumentos caros, muitos deles remendados e improvisados. Apesar dessas limitações o que este álbum consegue passar, mostra o valor que um artista possui em despertar emoções; ele conseguiu mostrar que o importante é o amor se tem pela arte e que sua vida é a própria definição daquilo que canta e toca. The Violent Blue é uma obra derivada de outro álbum, Sleep Well. Por mais que um seja filho do outro, The Violent Blue citado como os extras do Sleep Well mostra o Alex e Ben (tudo foi feito apenas pelos dois) mais inclinados ao sentimento. A banda (dupla) ainda possui mais 3 álbuns que espero ansiosamente conseguir.
Recomendo para todos amantes da Indie Music, "música de dormir" que alguns costumam falar do que escuto.
Sleep Well 1. "Monsters" – 4:36 2. "Bright Mouths" - 4:47 3. "We Will Walk Through Walls" - 4:31 4. "Graves And The Infinite Arm" - 4:39 5. "Adrift In Space, Or Whatever" - 1:19 6. "Ether" - 5:10 7. "Robophobia" - 4:34 8. "Lullaby" - 5:36 9. "It's Like A Heartbeat, Only It Isn't" -1:01 10. "All The Bones" - 5:15 11. "It's An Ugly Life" - 5:51 12. "When It's Black" - 5:11
Depois de um esforço hercúleo, consegui chegar a um texto aceitável e consistente o suficiente para descrever (com os merecidos elogios, claro) o sexto disco da banda britânica de rock progressivo (leia-se ex-psicodélico, pois as coisas evoluíram desde 1967 em The Piper at the Gates of Dawn). Devo, antes de mais nada, acrescentar que este está entre os meus trabalhos favoritos do grupo, e indubitavelmente no topo da minha lista de melhores discos da história da minha vidinha medíocre de blogueiro. Assim, exageros cometidos e adjetivos no superlativo dominarão esta postagem. Perdoem.
Pois bem, deixando um pouco de lado o contexto histórico da época de produção do álbum (acho desnecessário entupir os leitores não-tão-fãs com um material biográfico), podemos apenas dizer que o disco aqui postado (Meddle, 1971) é um divisor de águas entre o início de carreira do Floyd e a era moderna da banda, agora com identidade claramente progressiva. Mas o que diabos isto quer dizer? Significa, em panos limpos, que aquela sinfonia assustadora de Atom Heart Mother (o álbum anterior, de 1970 - por favor ouçam!) agora dá lugar a um universo diferente, preenchido por uma brisa melódica que levemente penetra em nossos ouvidos e nos acolhe com a temperatura de um dia chuvoso, enquanto os sons vão se adensando, mergulhando-nos num amplo oceano. A primeira faixa, One of These days, é o prólogo para compreender melhor esta evolução (e a minha definição metafísica de rock progressivo). As notas graves do contra-baixo são aos poucos acompanhadas por acordes de teclado, assim a música começa a ganhar proporção à medida que o fade-in vai deixando a guitarra do David Gilmour apresentar-se. Ao fundo, palhetadas alternadas ecoam até que enfim, entra a bateria. A pequena introdução instrumental continua até o clímax (Gilmour e seus bends) e encerra-se dando espaço à segunda faixa.
A Pillow of Winds (Um Travesseiro de Ventos) entra em cena proferindo: "A cloud of eiderdown draws around me; Softening the sound" (Uma nuvem de penas desce ao meu redor; Suavizando o som), acompanhado de um violão acústico dedilhando acordes menores e um teclado (me corrijam se eu estiver errado) que desliza meia dúzia de notas algumas oitavas acima. A canção é de tamanha leveza que dá pra simplesmente fechar os olhos e imaginar-se deitado num campo de trigo.
Após os cinco minutos e dez segundos de A Pillow of Winds, ouvimos Fearless. A música já inicia-se com uma palhetada generosa do David Gilmour que atinge em simultâneo todas as cordas da guitarra, estendendo o tapete vermelho para a bateria e o violão acústico , este último tocado por Roger Waters. Um riff (que tem um fraseado ascendente) aparece precedendo o vocal, perdurando com variações durante toda a música, marcando a transição de um acorde para outro (alguns destes são tocados com notas harmônicas). A faixa começa e encerra-se mixada com a gravação de um coro cantando "You'll Never Walk Alone", do musical Carousel - curiosidade é que essa música virou hino do Liverpool F.C.
San Troopez é a quarta faixa do álbum. Ouvindo-a identificamos claramente a essência jazzística em suas linhas de tempo, em virtude da marcação feita na bateria. As frases de piano são expressadas pelo músico Richard Wright, o violão acústico é novamente do Waters e o Gilmour aparece arrancando solos de sua guitarra com um slide (aquela espécie de dedal que facilita o deslize dos dedos sobre as cordas do instrumento). De longe, é a música que tem a batida mais acelerada do disco. Por fim (considerando que todas as faixas anteriores a Echoes fazem parte do lado A do disco, como era originalmente no LP), chegamos a Seamus, a composição mais inquieta, original e excêntrica de Meddle. O nome desse blues deve-se ao cão que uiva durante as gravações (sim, isso mesmo!), uma espécie de experimentalismo esquisito que acabou dando certo e rendendo lugar no longa Live at Pompeii, gravado pela banda após o lançamento deste disco. A letra, pra lá de genérica, descreve uma curta cena sobre um cachorro. Genial.
E assim, percorremos todo o disco até chegarmos a Echoes, o motivo pelo qual escolhi este álbum para análise. Em seus 23 minutos e 31 segundos de efeitos sonoros, microfonias, imrpovisações e longas passagens instrumentais somos literalmente transportados através de galáxias inteiras. Eu costumo comparar esta faixa com um profundo e denso oceano (lembra do meu ensaio no início da postagem?), onde o papel da composição musical (em suas passagens bem distintas) age como um feixe de luz que vai penetrando nas águas esverdeadas desse universo misterioso. A música tem início com um "ping" repetitivo, obtido através da reflexão da frequência de uma tecla do piano do Wright amplificada e retransmitida através de um alto-falante Leslie. Em seguida, entra David Gilmour com um solo introdutório que perdura até os 3 minutos, quando então os vocais aparecem fazendo dueto (Gilmour e Wright. A letra é belíssima, sem exageros, juro. A harmonia neste trecho usa basicamente os acordes sustenidos menores de Dó, Sol e Fá. Ao final dos vocais, entra em cena novamente a genialidade de David Gilmour em seus solos - com bend à vontade - evoluindo e estendendo-se até o terceiro estágio da música (por volta dos 7 minutos). Daí então, a bateria muda a marcação e o teclado do Wright aparece complementando com acordes, numa ritmia similar à do funk. Essa improvisação continua até o previsível fade-out, nos jogando lentamente até outro momento de silêncio, que aos poucos começa a ser povoado por manifestações sonoras sombrias: é como se minúsculos organismos bioluminescentes começassem a clarear uma caverna escura e fria. Vale a pena frisar o eco assustador semelhante a um grito de baleia, produzido através da inversão dos cabos no pedal wah-wah da guitarra (obrigado, Google!). Esse trecho foi curiosamente utilizado num episódio do Chaves, intitulado "o caçador de lagartixas":
Gradativamente a música volta ao ponto de partida, finalizando o último ato cantado com uma estrutura idêntica àquele trecho entre 3:00 e 5:00. Um duelo instrumental entre David Gilmour e o Richard Wright é majestosamente encerrado pelo silêncio característico de Echoes, com seus já familiarizados efeitos sonoros que nos lembram criaturas alienígenas.
Existem rumores de que a música Echoes faz claras referências ao filme "2001: Uma Odisséia no Espaço", dirigido em 1968 pelo cineasta Stanley Kubrick. Apesar da banda negar qualquer ligação intencional com o longa-metragem, a sincronização feita abaixo mostra que o diálogo entre ambos é válido, sobretudo na cena da viagem a Júpiter:
Meddle é um álbum complexo, instintivo e subjetivo que deve ser apreciado com todos os sentidos. O trabalho imprimiu uma marca permanente na história do rock e nas gerações que o acompanharam. Não deixa, contudo, de carregar uma certa dose de psicodelia, ainda que eu insista afirmar que é um divisor de águas entre as duas fases do Pink Floyd. No mais, uma obra indefinível à primeira vista - afinal, quem entendeu mesmo que aquilo na capa é o close de uma orelha?
Se algo tem o nome de Björk, palavras não são necessárias. É sempre algo bom. Cheio de esperimentalismos, seu projeto com o Dirty Projectors pode ser considerado como um outro lado do álbum Medulla da Björk (meu preferido!), sendo que este é menos introspectivo, embora profundo. O EP é cheio de sons feitos com a boca, com a voz. Sim, as músicas são guiadas pelas vozes de todos. Uma vez ou outra nos deparamos com um instrumento musical comum, mas é claro que tudo nas mãos dela se torna inovador, como um simples som de violão ou bateria. Percebemos isso nas músicas do álbum. É claro que o Dirty Projectors também imprimiu sua personalidade nas músicas. Claramente essa foi a melhor parceria do ano!
O EP tem uma temática de preservação ambiental e surgiu depois que Björk e o Dirty Projectors tocaram juntos num evento beneficiente em Nova York. Vamos tentar digerir um pouco o EP?
O álbum se inicia com a música Ocean e todos vão liberando pequenos sons que se interrompem e voltam, como se fizessem um ensaio de afinação de voz enquanto pedem uns minutos de atenção. Em seguida vem On and Ever Onward, com Björk cantando enquanto os demais fazem os sons que dão compasso a música, que tem um ar alegre, despreensioso e dá vontade de ficar batendo o pé seguindo o ritmo. A terceira faixa é When the World Comes to an End e vem cheia de sonzinhos esquizofrênicos feitos por todos. Beautiful Mother tem a presença do violão e é mais calma, acompanhada por palmas, pequenos barulhos aleatórios e instantes em que todos gritam com vozes doces. Sharing Orb volta a ser comandada por Bj; seguem-se ainda pequenos gritos, mas tudo é muito suave e ao mesmo tempo complexo. No Embrace é a música com mais profundidade. Muito boa! O EP se encerra com All We Are, cheia de sentimento de confluência em cima do que há de bom em todos nós. É a finalização de um ciclo.
O álbum nos guia por diversas sensações, todas elas instigantes. Não há como descrevê-lo plenamente. Se quiser experimentar um pouco como as coisas aconteceram, assista ao vídeo abaixo:
Hoje foi o dia de chuva, aqui em João Pessoa, e pra esses dias nada melhor do ficar olhando os pingos de chuva bater na janela e escutar uma música suave, leve, nostálgica. Pra hoje a melhor pedida é sem dúvidas Vince Guaraldi =]
Vince Guaraldi (1928-1976) foi um pianista e compositor de jazz norte americano, suas composições são leves com o toque de sofisticação singular, conferido pela sutil presença da guitarra, em meio ao trio de piano, contrabaixo e bateria, a leveza do som por sua vez é realçada pelas melodias “simpáticas” que ficam ecoando na nossa cabeça.
Imagino que quem foi criança nas décadas e 1980 e 1990, provalvemente vai ser lembrar um pouco do trabalho dele quando escutar o álbum, porque ele compôs a trilha sonora do desenho do Snoopy (Peanuts), originado das tirinhas de Charles Monroe Schulz, também com o mesmo nome do desenho, daí que vem a nostalgia dessas músicas, sempre que escuto lembro-me da infância, sempre assistindo o Snoopy (um dos meus desenhos preferidos), sempre é bom lembrar aqueles tempos sem preocupações, cobranças, pressões...
Acho que esse álbum é deliciosamente auto-explicativo, então para todos aqueles que gostam de jazz ou do Snoopy, recomendo muito o Vince Guaraldi! E agora eu me despeço com a última tirinha do Schulz T_T
Geniosidade, talento raro, mente perturbada, intelecto além do normal, uma mente jovem que faz maravilhas, multinstrumentalidade invejável, diversificação notória, duplas racionalidades e com excelência demonstrada em sons. Falar sobre este menino de 16 anos de idade é como você estivesse abrindo espaço para repudiar a raça humana. Como é possível esquecer a beleza de se viver? Muito foi falado da época sobre a morte de Yoñlu, mas ao contrário a muitos que enaltecem o seu suicídio, eu ponho isto como se eu fosse um dos culpados. Penso em muitas pessoas que vivem com máscaras, que escondem sua real tristeza e busco encontrar nas músicas de Yoñlu atingir uma maior profundidade para entender estes sentimentos ocultos; mostrá-los o quanto eles valem a pena. Sua viagem neste álbum será sofrida em muitos sentidos como sempre é para mim, contudo faz você acordar para os corações pesarosos que esperam ser aliviados.
Yoñlu é o tipo de Ser que eleva o nível da música do planeta; não é um jovem com uma voz que dói nos ouvidos ou apregoa uma imagem bonitinha para fazer garotinhas gritarem (refiro-me a desgraça advinda do Justin Bieber e companhia). Ele demonstra neste cd com 23 faixas, batizado com seu nome virtual Yoñlu (real Vinicius Marques) deixado para seus pais escutarem e 'conhecerem seus pensamentos' seu poder através da imperfeição. Ele descreve o poder da música em sua vida como poucos: "Eu acredito que a cadência e a harmonia certas no momento certo podem despertar qualquer sentimento, inclusive o da felicidade nos momentos mais sombrios’’.
Ambos, Vinícius e Yoñlu, morreram por asfixia devido a monóxido de carbono inalado (uma churrasqueira) no banheiro de sua casa. Idéia concebida com a ajuda de alguns internautas que estavam o auxiliando, por volta das 15h30 de uma quarta-feira de inverno, 26 de julho de 2006. Uma garoto superdotado, em regime de internação domiciliar por seu psicanalista havia 2 meses. Seu suicídio veio não como uma busca pela morte, mas como alternativa para fazer a dor parar.
Sua música precisa ser celebrada como um ritual a vida; uma vida musical vivida na extremidade da perfeição. Acordes belos do seu violão; um piano comovente; letras bastante bem elaboradas; tocador de baixo e bateria ainda; um inglês notável; uma voz madura, limpa e carregada de emoção; efeitos sonoros inusitados e muitos outros elementos compuseram este álbum (músicas soltas que ele reuniu), gravado em um dos quartos de sua casa que ele transformou em um estúdio. É um pouco inconcebível para mim a idéia que é possível fazer o que ele fez com apenas 16 anos de idade. É um legado que muitos músicos buscam longas décadas de existência para alcançar.
Ele tem um jeito único de fazer a luz aparecer em momentos de escuridão. Este álbum, pode ser classificado como caseiro, contudo é supremo em muitos sentidos, principalmente em sua singularidade.
Atendendo a umas das sugestões dadas pelo nosso amigo @jobsonlouis, apresento hoje a Mylene Farmer é canadense, nascida no dia 12 de setembro de 1961, tem uma carreira consolidada desde a década de 1980 e ainda permanece em atividade, fazendo muito sucesso na França, onde é considerada uma das maiores representantes de música pop de lá. Contando com álbuns em estúdio, ao vivo e também compilações a Mylene Farmer já participou de mais de 15 álbuns.
Trago aqui o penúltimo álbum lançado pela cantora, trabalho bastante calmo, aqui ela segue uma bastante segura da música pop, onde ela mostra bem a sua voz, que fica sempre em primeiro plano, deixando todos os instrumentos como planos de fundo, nesse álbum calmo e relaxante, acredito que grande parte dessa calma transmitida seja oriunda do idioma francês, que como já tinha mencionado em uma postagem anterior acho um idioma sonoro por natureza.
O álbum segue bastante coeso, diria que talvez esteja coeso até de mais, às vezes dá a sensação de que todas as músicas na verdade é um só. O trabalho segue sem muitas surpresas, embora note-se algumas influências do rock, de modo bastante discreto, e certos trechos um lirismo, que quase embarra no New Age. Ainda sim vale muito a pena conhecer!
Tidos como "duas das mais importantes vozes de São Paulo", Monique Maion e Gustavo Garde fizeram de seu projeto Sunset um dos melhores sons da vanguarda paulistana. Eles se conheceram em janeiro de 2008 na cena underground de São Paulo e de repente, a afinidade que surgiu entre eles os levou a gravar quatro meses depois este EP que venho falar aqui hoje: Sunset.
Como definir Sunset? Sunset é uma mistura interminável de gêneros que passeam do folk ao jazz com extrema desenvoltura. As vozes de ambos se casam perfeitamente, a química que rolou foi muito interessante. O álbum é cantado em inglês e português, havendo também leves pinceladas de francês. O álbum se inicia com Run Whith Me, um folk tocado com um violão, banjo, assobios e instrumentos diversos. A música tem um ar bem alegre e dá vontade de correr junto com eles, tamanho o envolvimento e a sensação de amor infantil que o som contém. Em seguida vem Bunny, com assobios e acordes de violão. Monique Maion brinca com sua própria voz, como se fosse um instrumento jazzistico e vai ao ápice com a frase "why don't you go and die?". Fatherhood é uma música mais introspectiva, começando com pequenos sons que lembram uma caixinha de música, depois a música é comandada pelo teclado e seguimos nos deleitando. Out of The Run tem um ar calmo, que nos vai tirando da introspecção da faixa anterior. Duelo de Gigantes nos dá a sensação de estar em um saloon do velho oeste e Gustavo Garde nos guia nesse pequeno "bang bang". A música seguinte é Mr. Know It All, puro jazz. É nesse momento que Monique e Gustavo se libertam e vão experimentando suas vozes ao longo dos 4min e 18seg. Finalizando com chave de ouro o EP, chegamos ao ápice com Place Cliche, que se inicia com uma conversa em francês/português e vai evoluindo e convidando guitarras, sons de bateria esquizofrênicos ao longe, teclados... Até que eles voltam a sobriedade e conversam mais um pouco, sendo que novamente são tomados pela loucura e gritam, cantam, se divertem muito mais.
Wandula é o resultado da união de músicos e compositores vindos de diferentes formações e experiências. Edith de Camargo (suíça radicada no Brasil), vocalista e acordeonista do grupo, tem influências de cantoras como Barbara, Edith Piaf e do Lied alemão, trazendo o ambiente dos shows de cabaret para os palcos. Marcelo Torrone, pianista e tecladista, agrega elementos da música popular brasileira à sua formação erudita, mesclando principalmente o chorinho à música impressionista e minimal, com influências de Erik Satie, Ernesto Nazareth e Michael Nyman. Claudio Pimentel (violonista), Rafael Martins (guitarrista) e J.C.Branco (percussionista), trazem a referência do pop e do rock para o grupo e Raphael Buratto (violoncelista clássico), Felipe Ayres (harpista) e Denis Nunes (baixista) completam a formação atual do grupo. (Informações tiradas do site oficial da banda).
Eu até queria muito levantar a bandeira da qualidade da música feita no Brasil, mas nesse caso acredito que seria injusto, pela formação da banda e principalmente pelas fortes influências que são somadas as composições da banda, tornando assim o som da banda inclassificável (no melhor sentido que a expressão possar ter).
Então se você gosta de música erudita, popular, vanguardista, minimal, choro, então prepare-se pra tudo junto e ao mesmo tempo!!! Nesse álbum o piano assume o papel de espinha dorsal, é estranho descrever o som da banda, acho que o som tem um colorido um pouco sóbrio, mas ainda sim a densidade da música não é muito pesada, ainda sim o som deles é divertido, a exemplo da faixa Rocambolesco.
O álbum é bem divido com faixas instrumentais e vocais, nas vocais trazendo a sonoridade do português, inglês, francês e alemão, que quando misturado a todos os instrumentos da banda, deixa qualquer um em estado de êxtase!
A faixa que abre o álbum é Paisagem Progressiva #1, ela tem um tema meio melancólico, mas é uma ótima introdução do que está por vim, atenção especial para a faixa Wymborska, composição com canto bem contemporâneo mesmo, fazendo um contraste perfeito com o piano que nessa faixa faz o acompanhamento sozinho, de forma bem tonal e repetindo um mesmo tema, mudando apenas a função e em uma parte ou outra com uma pequena variação, em seguida vem a faixa Rocambolesco, música bem leve e descontraída, traz uma sonoridade meio antiga, pra mim soa como anos 20..30...não tenho certeza, a o sopro adiciona um toque especial a textura da música. A faixa L'homme Auxtâche de Rousseur, essa se destaca pelo som bem europeu e também pelo andamento, acho que é o andamento mais rápido do álbum, em A Queda de Suzannne é criada uma atmosfera um pouco mais sombria, o que me lembra o país das maravilhas.
O Wandula exprime uma sofisticação imensurável, então deguste, aprecie, viaje, permite-se experimentar...
Um grande homem, que apesar de conhecer seu potencial, proporcionar inúmeros bons frutos e quebrar paradigmas traz consigo uma postura ainda mais enaltecedora de humildade. Em um verso da canção liberdade, Marcelo Camelo explica porque é o maior nome da música contemporânea brasileira:
Perceber aquilo que se tem de bom no viver é um dom / Daqui não / Eu vivo a vida na ilusão / Entre o chão e os ares / Vou sonhando em outros ares, vou / Fingindo ser o que eu já sou / Fingindo ser o que eu já sou / Mesmo sem me libertar eu vou.
Incrível como ele consegue elevar a música popular brasileira com tanta sutileza neste álbum. Sou, um título mais que sugestivo, traz sua personalidade crua e melhor do que pensei ser possível. O rompimento com Los Hermanos fez muito bem para este homem, que nos mostra a peça épica que se passa em sua mente; sua arte, sem estar direcionado a um dado público. Longe das expectativas dos fãs que evidentemente querem que siga dada corrente musical e o rompimento com seus colegas do Los busca a valozicao da sua individualidade, ou ao menos exercê-la. Pode ser o sentimento contido em uma de suas letras: Posso estar só, mas sou de todo mundo... / Solidão foge que eu te encontro, eu já tenho asas... (doce solidão)
Um gênio da música falada e tocada cuja sensibilidade invejável por qualquer psicólogo. Suas músicas podem ser escutadas em simples acordes, mas simultaneamente, cairiam como veludo para qualquer orquestra sinfônica. A cultura brasileira é um lugar mais completo com a presença deste sonhador. Janta, liberdade, saudade são algumas das melhores músicas que já ouvi.
É certo que o cd demanda paciência para o ouvinte; ouvidos bastante atentos para perceber nuâncias; buscar ouvir instrumentos falando quando Marcelo prefere calar-se "em muitos momentos". As letras demonstram um lado melancólico; a atmosfera do álbum varia da alegria a depressão, mas longe de levar a inconsistência.
Enquanto o povo brasileiro seguir os seus passos não perderá sua identidade. Se perguntassem para mim: - O que mais lhe orgulha no Brasil? Marcelo Camelo seria uma das minhas prováveis respostas sem exitar.