
“Abraçar, é encostar um coração no outro”. Existe sempre uma maneira contrária de contemplar os gestos humanos e por que não de embelezá-los? Durante muito tempo refutei a idéia de que somos um produto da coleção de alfaiates que produzem nossas vestimentas diárias de emoção. Por isto resolvi lembrar e descrever as pessoas que fizeram parte de minha vida. Sei que é um projeto imenso, mas tem me feito refletir sobre as lições aprendidas e revelações que adormeci em meu pensamento.
Gosto quando encontro pessoas que me joguem sobre paredes; que me fazem querer viver acima do chão; que me façam chorar de alegria e sorrir das adversidades; que me cortem as veias do ridículo e me deixem livre para invadir seu mundo porque enxergam algo confiável em meu caráter. Gosto de pessoas que me ofereçam uma nova versão de mim mesmo e que tenham paciência de me escutar quando eu começar a devanear sobre a vida, sobre os tombos e emoções; que não restrinjam esta parte poesia em meu caráter. Mesmo que não identifique rimas nos meus versos, quero que enxerguem cores nos retratos que pinto.
Lembro de um tesouro da minha querida @ritaapoena quando descreve o amor. Ela diz: “Quem não compreende o sorriso ainda não está pronto para ser flor.” Aqui na França tenho encontrado muitas pessoas que evitam tocar em suas feridas; evitam falar seus sentimentos e emoções por desacreditarem no ser humano. Gostaria de inventar um termo para isto, chamaria de violência pessoal.
Por mais que não goste da definição de clássico, é a melhor palavra que posso descrever minha recomendação de hoje, Jeff Buckley. Ele mudou minha vida porque me fez enxergar desdobramentos em retas. Ele tem o dom de pintar a música. A poesia, melodia e voz é presente como um efervescente que acalma multidões. Consigo ir longe em sua obra crua. Por mais que o produto de si tenha culminado em um suicídio, e sua incrível obra resuma-se a apenas um álbum concluído e algumas faixas soltas, ele nos presenteou com o que aprendeu com a vida. É visível sua dor, seu vício, loucura. E por ser tão real nos inspira. Um mestre da quebra da superficialidade humana.
Aqui indico uma coleção com suas “melhores” faixas, álbum inacabado e seu triunfo de 1994, Grace. Algumas das músicas são repetidas, mas contém outras versões e minha preferida versão, I know it’s over.
Por favor, não termine aqui. Busque estudá-lo e se entendam. Pensemos nas pessoas de sua vida; busquemos compreender sorrisos e florir; quebrar a superficialidade que cercam nossas relações e abraços. Estes últimos, façamos juntando corações, não apenas braços.
GRACE

SKETCHES FOR MY SWEETHEART THE DRUNK

Adorei esse texto'
ResponderExcluirParabéns pelo seu blog (:
Sempre estou dando uma passada por aqui. Muitos músicos bons e músicas que gosto.
Obrigada por existir, Gaveta Sonora *-*
Grato Letícia. Ficamos feliz com a apreciação. Saber que nosso hobby é apreciado nos dá mais vontade de continuar nos expressando na esfera virtual :)
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