
Descobri que existe uma linha tênue entre o bem-estar e o mal-estar; às vezes, é preciso apenas uma palavra, um olhar ou um pensamento para levá-lo para o outro lado.
Algumas pessoas têm o talento incrível de permanecer constantes; parecem ser indestrutíveis, verdadeiras fortalezas; nunca parecem ser atingidas pelas adversidades. Admiro muito estas sortudas; até mesmo, invejo-as. Eu, por natureza ou escolha própria, sou inconstante. Não sinto de necessidade de sorrir o tempo todo. Gosto de mergulhar nas profundezas da tristeza de vez em quando e enxergo uma beleza estonteante neste ato. Vejo-me despido das expectativas externas e contemplo minhas vulnerabilidades... Compreendo-me.
Conheço pessoas que mergulham na escuridão para que enxerguem verdadeiramente o que é a luz, o prazer. Assim sou eu. Às vezes gosto apenas de ficar na escuridão com os meus amigos e amores; enxergando suas frustrações e sentido de suas lágrimas; refletindo e amando tudo que os tornam tão especiais. Neste estado, desenho mapas de nossos verdadeiros sentimentos, os quais teríamos vergonha de rabiscar se estivéssemos em luz. Eu diria que um aumento na minha escuridão corresponde a um aumento na minha luz. Assim também pensa minha recomendação de hoje.
Florence and the Machine deixou de ser apenas um experimento do folk-rock britânico; ela foi capaz de criar um monumento ao amor com seu novo álbum, Cerimonials. O título transcreve bem o que nos é apresentado como uma viagem a escuridão provida pela experiência afetiva. Gritos internos, preces de socorro, prantos sem lágrimas, decepção com si mesma e com o outro, pedidos de morte, sonhos atormentadores e muitos outros elementos da beleza vulnerável de arriscar-se no amor são nesta obra demonstrados.
Para mim, é o melhor álbum do ano de 2011. Claro que é preciso viajar muitas vezes neste álbum, de uma forma que o permita ter experiências com ele. É um álbum muito denso com muitos elementos a serem entendidos. Admiro muito Florence por não ter vendido sua verdade já que se tornou mainstream no ano passado (2010). Penso em Florence com uma combinação entre Pj Harvey, Feist, Kate Bush, Adele e U2. Sei que isto é incongruente, contudo quando escuto Florence não sinto vontade de escutar estes outros artistas; tudo parece muito pequeno. Aproveitem!
CEREMONIALS

Exatamente essa sensação, parece-me que diante da Florence tudo é pequeno... mas recentemente busquei muito e encontrei Sharon Van etten uma cantora norte-americana de Indie-rock que é sensacional, acho que a única com músicas capazes de se aproximar do nível de florence na atualidade, Música Folk (Elvis, Janis Joplin e Joan Baez) dão uma salvada também de nossos ouvidos da música atual...
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