quinta-feira, 24 de junho de 2010

Marcelo Camelo






Um grande homem, que apesar de conhecer seu potencial, proporcionar inúmeros bons frutos e quebrar paradigmas traz consigo uma postura ainda mais enaltecedora de humildade. Em um verso da canção liberdade, Marcelo Camelo explica porque é o maior nome da música contemporânea brasileira:

Perceber aquilo que se tem de bom no viver é um dom / Daqui não / Eu vivo a vida na ilusão / Entre o chão e os ares / Vou sonhando em outros ares, vou / Fingindo ser o que eu já sou / Fingindo ser o que eu já sou / Mesmo sem me libertar eu vou.

Incrível como ele consegue elevar a música popular brasileira com tanta sutileza neste álbum. Sou, um título mais que sugestivo, traz sua personalidade crua e melhor do que pensei ser possível. O rompimento com Los Hermanos fez muito bem para este homem, que nos mostra a peça épica que se passa em sua mente; sua arte, sem estar direcionado a um dado público. Longe das expectativas dos fãs que evidentemente querem que siga dada corrente musical e o rompimento com seus colegas do Los busca a valozicao da sua individualidade, ou ao menos exercê-la. Pode ser o sentimento contido em uma de suas letras: Posso estar só, mas sou de todo mundo... / Solidão foge que eu te encontro, eu já tenho asas... (doce solidão)

Um gênio da música falada e tocada cuja sensibilidade invejável por qualquer psicólogo. Suas músicas podem ser escutadas em simples acordes, mas simultaneamente, cairiam como veludo para qualquer orquestra sinfônica. A cultura brasileira é um lugar mais completo com a presença deste sonhador. Janta, liberdade, saudade são algumas das melhores músicas que já ouvi.

É certo que o cd demanda paciência para o ouvinte; ouvidos bastante atentos para perceber nuâncias; buscar ouvir instrumentos falando quando Marcelo prefere calar-se "em muitos momentos". As letras demonstram um lado melancólico; a atmosfera do álbum varia da alegria a depressão, mas longe de levar a inconsistência.

Enquanto o povo brasileiro seguir os seus passos não perderá sua identidade. Se perguntassem para mim: - O que mais lhe orgulha no Brasil? Marcelo Camelo seria uma das minhas prováveis respostas sem exitar.



SOU


  1. "Téo e a Gaivota" (com Hurtmold)
  2. "Tudo Passa" (com Hurtmold)
  3. "Passeando"
  4. "Doce Solidão" (com Hurtmold)
  5. "Janta" (com Mallu Magalhães)
  6. "Mais Tarde" (com Hurtmold)
  7. "Menina Bordada" (com Hurtmold)
  8. "Liberdade" (com Dominguinhos)
  9. "Saudade"
  10. "Santa Chuva"
  11. "Copacabana"
  12. "Vida Doce" (com Hurtmold)
  13. "Saudade (faixa bônus)" (com Clara Sverner)
  14. "Passeando (faixa bônus)" (com Clara Sverner)

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